Os 8 tipos de dados usados na manutenção preditiva 

Os 8 tipos de dados usados na manutenção preditiva 

analise de dados
analise de dados

A transformação digital da indústria trouxe uma nova realidade para a gestão de ativos. Hoje, empresas que buscam maior disponibilidade operacional, redução de custos e aumento da produtividade já compreenderam que a tomada de decisão precisa ser baseada em dados. Nesse cenário, a manutenção preditiva se consolidou como uma das estratégias mais eficientes para antecipar falhas e otimizar recursos. 

Mas para que a manutenção preditiva funcione de forma eficaz, é necessário compreender um elemento fundamental: os dados. São eles que permitem identificar padrões, detectar anomalias e prever problemas antes que eles impactem a operação. 

O papel dos dados na manutenção preditiva 

Diferentemente da manutenção corretiva, que atua após a falha ocorrer, ou da manutenção preventiva, baseada em intervalos de tempo pré-definidos, a manutenção preditiva utiliza informações reais sobre a condição dos ativos para indicar o momento mais adequado para uma intervenção. 

Essa abordagem permite que as equipes de manutenção atuem de forma estratégica, evitando tanto falhas inesperadas quanto manutenções desnecessárias. 

Por trás dessa estratégia está um volume significativo de informações provenientes de diferentes fontes. Quanto mais consistente for a coleta e análise desses dados, maior será a capacidade de prever falhas e aumentar a confiabilidade dos equipamentos. 

1. Vibração: a base da manutenção preditiva 

Quando se fala em manutenção preditiva, a análise de vibração costuma ser uma das primeiras técnicas lembradas. 

Isso acontece porque equipamentos rotativos, como motores, bombas, ventiladores, compressores e redutores, apresentam alterações em seus padrões vibracionais quando começam a desenvolver defeitos. 

Através da coleta e análise desses sinais, é possível identificar problemas como: 

  • Desbalanceamento; 
  • Desalinhamento; 
  • Folgas mecânicas; 
  • Defeitos em rolamentos; 
  • Problemas em engrenagens; 
  • Ressonâncias estruturais. 

A vibração fornece uma visão detalhada do comportamento mecânico dos ativos e permite detectar falhas em estágios iniciais, muitas vezes meses antes de uma parada não planejada. 

Por isso, ela continua sendo uma das fontes de dados mais valiosas para programas de confiabilidade industrial. 

2. Dados de temperatura: identificando anomalias invisíveis 

A temperatura é outro indicador extremamente relevante dentro da manutenção preditiva. 

Todo equipamento possui uma faixa normal de operação. Quando ocorre um aumento anormal da temperatura, isso pode indicar a presença de algum problema em desenvolvimento. 

A medição pode ser realizada por meio de: 

  • Sensores de temperatura; 
  • Termopares; 
  • RTDs; 
  • Câmeras termográficas; 
  • Sensores infravermelhos. 

Entre as falhas que podem ser identificadas estão: 

  • Sobrecarga de motores; 
  • Falhas de lubrificação; 
  • Atrito excessivo; 
  • Conexões elétricas defeituosas; 
  • Problemas em painéis elétricos; 
  • Aquecimento de rolamentos. 

A termografia, em especial, tornou-se uma ferramenta indispensável por permitir a inspeção sem contato e sem interrupção da operação. 

3. Dados de ultrassom: ouvindo o que o equipamento tem a dizer 

Nem todas as falhas podem ser vistas. Algumas podem ser ouvidas antes mesmo de se tornarem perceptíveis por outros métodos. 

É justamente nesse contexto que entram os dados obtidos por ultrassom. 

Essa tecnologia é amplamente utilizada para identificar: 

  • Vazamentos de ar comprimido; 
  • Vazamentos de gases; 
  • Descargas elétricas; 
  • Arcos elétricos; 
  • Corona; 
  • Atrito excessivo em componentes mecânicos. 

Os sensores captam frequências sonoras acima da capacidade auditiva humana e convertem esses sinais em informações analisáveis. 

Na prática, o ultrassom complementa outras técnicas da manutenção preditiva, oferecendo uma visão adicional da saúde dos ativos. 

4. Lubrificação e análise de óleo 

O óleo lubrificante é frequentemente chamado de “sangue da máquina“. Isso porque ele carrega informações extremamente importantes sobre a condição dos componentes internos dos equipamentos. 

A análise de óleo permite avaliar: 

  • Nível de contaminação; 
  • Presença de partículas metálicas; 
  • Degradação do lubrificante; 
  • Presença de água; 
  • Oxidação; 
  • Alterações químicas. 

Por meio dessas informações, é possível identificar desgastes prematuros e falhas em estágio inicial. 

Além disso, os dados de lubrificação ajudam a otimizar planos de troca de óleo, reduzindo custos sem comprometer a confiabilidade operacional. 

5. Dados elétricos: monitorando a saúde dos sistemas energizados 

Os sistemas elétricos também geram informações valiosas para a manutenção preditiva

A análise elétrica pode incluir: 

  • Corrente; 
  • Tensão; 
  • Potência; 
  • Fator de potência; 
  • Harmônicas; 
  • Desequilíbrio de fases. 

Esses dados ajudam a identificar problemas tanto na alimentação elétrica quanto nos próprios equipamentos. 

Por exemplo, alterações no consumo de corrente podem indicar falhas mecânicas em motores, enquanto desequilíbrios de tensão podem apontar problemas na rede elétrica. 

A combinação entre análise elétrica e análise de vibração costuma oferecer diagnósticos ainda mais precisos. 

6. Dados operacionais e de processo 

Um erro comum é acreditar que a manutenção preditiva depende apenas de sensores especializados. 

Na realidade, muitos dados já estão disponíveis nos sistemas de automação industrial. 

Entre eles: 

  • Pressão; 
  • Vazão; 
  • Nível; 
  • Temperatura de processo; 
  • Velocidade de operação; 
  • Produção; 
  • Consumo energético. 

Quando analisados em conjunto, esses indicadores podem revelar alterações no desempenho dos ativos e antecipar falhas. 

Uma bomba que passa a consumir mais energia para entregar a mesma vazão, por exemplo, pode estar sofrendo desgaste interno ou problemas hidráulicos. 

Por isso, integrar os dados de processo às estratégias de manutenção é uma prática cada vez mais comum. 

7. Histórico de manutenção 

Nem todos os dados utilizados na manutenção preditiva vêm diretamente dos equipamentos. 

Os registros históricos também desempenham um papel essencial. 

Ordens de serviço, relatórios de inspeção, intervenções realizadas e histórico de falhas ajudam a construir uma base de conhecimento que permite identificar tendências e recorrências. 

Entre as informações mais relevantes estão: 

  • Frequência das falhas; 
  • Tempo médio entre falhas (MTBF); 
  • Tempo médio para reparo (MTTR); 
  • Componentes mais críticos; 
  • Custos de manutenção. 

Esses dados permitem que as equipes entendam melhor o comportamento dos ativos ao longo do tempo e aprimorem continuamente suas estratégias. 

8. Dados de inspeção sensitiva 

Mesmo em uma indústria cada vez mais digital, a experiência humana continua sendo indispensável. 

Os operadores e técnicos de campo são capazes de identificar sinais importantes durante as rotinas de inspeção. 

Alguns exemplos incluem: 

  • Ruídos anormais; 
  • Vazamentos; 
  • Vibrações perceptíveis; 
  • Cheiros incomuns; 
  • Alterações visuais; 
  • Mudanças no comportamento operacional. 

Quando essas observações são registradas de forma estruturada, tornam-se uma importante fonte de dados para a manutenção preditiva

Empresas que incentivam a participação dos operadores costumam identificar problemas mais rapidamente e fortalecer sua cultura de confiabilidade. 

A importância da integração dos dados 

Um dos maiores avanços da indústria moderna está na capacidade de integrar diferentes fontes de informação. 

Analisar apenas um tipo de dado pode gerar diagnósticos limitados. Já a combinação de múltiplas variáveis permite uma compreensão muito mais completa da condição dos ativos. 

Imagine um motor que apresenta: 

  • Aumento de vibração; 
  • Elevação de temperatura; 
  • Crescimento do consumo de corrente elétrica. 

Quando esses dados são analisados em conjunto, a confiabilidade do diagnóstico aumenta significativamente. 

Essa abordagem é conhecida como monitoramento multitecnologia e representa uma evolução importante dentro da manutenção preditiva

Qualidade dos dados: o fator que determina o sucesso 

De nada adianta possuir milhares de sensores se os dados coletados não forem confiáveis. 

A qualidade da informação é um dos principais pilares de qualquer programa preditivo. 

Para garantir resultados consistentes, é importante: 

  • Utilizar equipamentos calibrados; 
  • Definir rotinas de coleta padronizadas; 
  • Treinar equipes adequadamente; 
  • Manter históricos organizados; 
  • Validar informações periodicamente; 
  • Utilizar softwares de gestão e análise. 

Dados incorretos podem gerar diagnósticos equivocados, aumentando custos e comprometendo a credibilidade da estratégia de manutenção. 

O futuro na manutenção preditiva 

Com o avanço da Indústria 4.0, da Internet das Coisas (IoT) e da Inteligência Artificial, a quantidade de dados disponíveis cresce de forma exponencial. 

Sensores inteligentes, plataformas conectadas e algoritmos avançados já permitem análises cada vez mais rápidas e precisas. 

No entanto, a tecnologia sozinha não resolve os desafios da confiabilidade. O verdadeiro diferencial está na capacidade de transformar dados em conhecimento e conhecimento em ação. 

manutenção preditiva continuará evoluindo à medida que as empresas desenvolverem processos mais maduros de coleta, integração e interpretação das informações geradas pelos seus ativos. 

Investir em uma cultura orientada por dados é, portanto, um dos caminhos mais seguros para construir operações mais eficientes, seguras e confiáveis, extraindo todo o potencial que a manutenção preditiva pode oferecer. 

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