No universo de compras e suprimentos, poucas palavras são tão usadas, e ao mesmo tempo tão mal interpretadas, quanto Savings.
Em relatórios, reuniões de performance e apresentações executivas, o termo aparece como sinônimo de economia. Mas, na prática, nem todo Saving representa a mesma coisa. E essa diferença muda completamente a forma como se mede resultado e eficiência.
Existe uma confusão recorrente no mercado sobre o que é economia real. Em muitos casos, números positivos são apresentados como Saving sem considerar a origem da referência ou o contexto da negociação. Isso pode distorcer análises, inflar resultados e até comprometer decisões estratégicas.
Como resume o Gerente de projetos do Portal de compras USEMOL Fábio Castro:
“Saving é o quanto você economizou”.
E, na prática do dia a dia de compras, isso parece simples, mas não é. A partir dessa lógica básica, surgem diferentes formas de interpretar o Saving, cada uma com uma base de comparação distinta.
Entender essas diferenças é essencial para qualquer organização que deseja amadurecer sua gestão de compras e suprimentos.
Saving de Negociação: a economia mais visível
O Saving de Negociação é, provavelmente, o mais conhecido no mercado. Ele nasce da diferença entre o valor inicialmente orçado ou ofertado e o valor final fechado na negociação.
Em termos simples, é quando você consegue reduzir o preço diretamente na mesa de negociação.
Como explica Fábio Castro:
“Saving, para quem é comprador é uma loucura […] Você está vendendo por R$ 100, se eu falar para você, você consegue vender por 90? Você fala, consigo. Beleza, você teve o saving de 10. Esse Saving se chama Saving de negociação”.
Esse tipo de Saving é importante porque reflete diretamente a capacidade do comprador de influenciar o fornecedor no momento da compra. Ele é objetivo, mensurável e amplamente aceito como indicador de performance.
No entanto, também pode ser um dos mais superestimados quando analisado isoladamente. Isso porque ele não considera o histórico de preços nem mudanças de mercado ao longo do tempo.
Saving Histórico: o que realmente mudou desde a última compra?
Diferente do Saving de Negociação, o Saving Histórico compara o valor atual com o que foi pago em compras anteriores. Aqui, a referência não é o orçamento, mas sim o passado da própria empresa.
Esse tipo de análise é fundamental para evitar distorções, principalmente em categorias recorrentes.
Fábio Castro reforça essa distinção de forma clara:
“As pessoas não têm noção de modelo de saving. Esse que você vendeu a R$ 100, eu falei para R$ 90, você deu 10%, isso é um saving de negociação. Se a última vez eu paguei R$90 já, isso não é saving. Aí tem o saving baseado no meu histórico de compras”.
Ou seja, se o preço atual está acima do histórico, mesmo que haja desconto na negociação, não necessariamente houve economia real.
O Saving Histórico ajuda a responder uma pergunta mais estratégica: estamos realmente comprando melhor ao longo do tempo ou apenas renegociando dentro de novos patamares de preço?
Saving de Verba (Budget): eficiência dentro do planejamento
Outro tipo importante é o Saving de Verba, também conhecido como “Budget Saving”. Aqui, a comparação não é feita com o preço de mercado ou histórico, mas sim com o orçamento planejado.
É uma métrica muito usada em projetos, obras e iniciativas com orçamento definido.
Como exemplifica Fábio Castro:
“Eu estimei gastar R$ 200, com 200 águas. Eu comprei 200 águas e consegui gastar R$ 160. Então isso é o saving da verba que eu estimei. Isto é muito usado em construtora: Eu vou gastar 100.000 em metro cúbico de concreto, comprei a mesma quantidade e não gastei 100.000”.
Aqui, o foco não está apenas em pagar menos, mas em executar dentro (ou abaixo) do orçamento previsto, mantendo o escopo planejado.
É uma métrica extremamente relevante para controle financeiro, mas que pode ser enganosa se o orçamento inicial estiver superestimado.
Custo Evitado (Cost Avoidance): o que parece Saving mas não é
Entre todas as categorias, o Custo Evitado é talvez o mais mal compreendido. Isso porque ele não representa uma economia direta, mas sim a prevenção de um aumento de custo.
Na prática, o valor pago hoje é maior do que o anterior, mas menor do que o aumento proposto pelo fornecedor.
Fábio Castro explica esse conceito com um exemplo claro:
“Você tem um contrato de telefonia de R$ 200 ao ano e o fornecedor fala: ‘ano que vem mais 10%, vai ser R$ 220’. Você briga e fecha a R$ 210[…]Esse é um custo evitado, você não teve saving”.
Ele ainda reforça:
“Você não salvou nada, você pagou mais caro, mas você evitou um custo.”
O Cost Avoidance é extremamente relevante em cenários inflacionários ou de reajustes contratuais, mas muitas empresas o contabilizam como Saving, o que pode inflar resultados e criar uma falsa percepção de eficiência.
A importância de monitorar o Saving corretamente
Um dos maiores problemas na gestão de compras não é a ausência de Saving, mas sim a forma como ele é medido e acompanhado ao longo do tempo.
Sem padronização, cada área pode interpretar economia de uma maneira diferente.
Fábio destaca um ponto crítico nesse processo:
“Poucas empresas fazem monitoramento do Saving de forma contínua. Elas fazem pontual.”
Na prática, isso significa que muitas organizações analisam resultados isolados, sem construir uma visão consolidada da performance de compras ao longo dos meses.
E é aí que ter um portal de compras como o USEMOL, que une em um só lugar todos estes conceitos, transforma a visão de negócios e compras.
“Então cada empresa olha o Saving de uma forma isolada. E aí o sistema ele padroniza isso”.
Essa visão contínua é essencial para transformar o Saving em um indicador estratégico, e não apenas em um número de relatório.
Quando o Saving é monitorado de forma estruturada, ele deixa de ser apenas uma métrica de economia e passa a ser uma ferramenta de gestão, capaz de orientar decisões, corrigir desvios e identificar oportunidades reais de melhoria.
Saving não é só número, é contexto
O grande desafio das organizações não está apenas em gerar Saving, mas em entender qual tipo de Saving está sendo gerado. Cada categoria — Negociação, Histórico, Verba e Custo Evitado — conta uma história diferente sobre a eficiência das compras.
Reduzir tudo a um único número pode levar a interpretações equivocadas e decisões mal fundamentadas. Por outro lado, quando bem estruturado, o conceito de Saving se torna uma das ferramentas mais poderosas para gestão financeira e estratégica.
No fim, economizar é importante. Mas entender como essa economia acontece é o que realmente diferencia organizações maduras em suprimentos.
Assista ao PodCast completo para saber mais sobre este e outros temas da área de compras:



